Rankings e tabelas de classificação das instituições de ensino superior (IES) e de programas de ensino são um fenômeno global. Os rankings servem diversos propósitos: respondem a demandas dos consumidores por informações facilmente interpretáveis sobre a situação das instituições de ensino superior, estimulam a competição entre elas; proporcionam um tipo de princípio lógico para alocação de verbas, [e] ajudam a diferenciar tipos de instituição, programas e disciplinas. Além disso, quando corretamente entendidos e interpretados, contribuem para a definição de "qualidade" das instituições de ensino superior em um determinado país, complementando o trabalho rigoroso conduzido no contexto de avaliação e revisão de qualidade feito por agências de credenciamento públicas e independentes. É por isso que rankings de instituições de ensino superior e os processos de garantia de qualidade passaram a fazer parte do quadro de responsabilidades de cada pais, e por isso cada vez mais países investem no desenvolvimento de rankings. Dada esta tendência, é importante que quem produz rankings se responsabilize pela qualidade na coleta de informações, na metodologia e na sua disseminação.

É por isso que o International Ranking Expert Group (IREG) foi fundado em 2004 pelo Centro Europeu de Educação Superior (UNESCO-CEPES) em Bucareste e pelo Instituto de Política de Educação Superior, em Washington, DC. Por causa desta iniciativa foi convocada a segunda reunião do IREG (Berlim, de 18 a 20 de maio de 2006) para considerar um conjunto de princípios de qualidade e boas práticas em elaboração de rankings IES - os Princípios de Berlim para rankings de Instituições de Educação Superior.

Espera-se com esta iniciativa ter estabelecido um quadro para a elaboração e divulgação dos rankings - sejam eles nacionais, regionais ou de âmbito mundial - que, finalmente, vai levar a um sistema de melhoria contínua e aperfeiçoamento das metodologias utilizadas para realizar estas classificações. Dada a heterogeneidade de metodologias de rankings, estes princípios de boas práticas de classificação serão úteis para a melhoria e avaliação de rankings.

Rankings e tabelas classificativas devem:

A) Objetivos e Metas dos Rankings


1. Ser uma entre várias, diferentes abordagens para a avaliação do ensino superior. Rankings podem fornecer informações comparativas e uma melhor compreensão do ensino superior, mas não devem ser o principal método para avaliar uma instituição de ensino superior. Rankings fornecem uma perspetiva baseada no mercado que pode complementar o trabalho do governo, das instituições de acreditação e das agências de avaliação independentes.
2. Ser claros quanto ao propósito e ao público ao qual estão dirigidos. Os indicadores utilizados para atender um objetivo específico ou para informar um público-alvo podem não ser adequados para diferentes fins, ou grupos-alvo.
3. Reconhecer a diversidade das instituições e levar em conta diferentes missões e objetivos. Medidas de qualidade para as instituições voltadas para a pesquisa, por exemplo, são bastante diferentes daqueles que são apropriados para as instituições que oferecem amplo acesso às comunidades carentes. As instituições que estão sendo classificadas e os peritos que assistem ao processo de classificação devem ser consultados frequentemente.
4. Ser claros sobre as fontes de informação e o seu significado. A relevância dos resultados de classificação depende do público que recebe as informações e as fontes dessas informações (tais como bases de dados, os alunos, professores, entidades empregadoras). Uma boa prática seria combinar diferentes perspetivas fornecidas por essas fontes, a fim de obter uma visão mais completa de cada instituição de ensino superior incluída no ranking.
5. Especificar os contextos linguístico, cultural, econômico e histórico do sistema avaliado. Rankings internacionais, em particular, devem estar atentos à possibilidade de viés e ser precisos na determinação do seu objetivo. Nem todas as nações ou sistemas compartilham os mesmos valores e crenças sobre o que constitui a "qualidade" em instituições de ensino superior, e os sistemas de classificação não devem ser concebidos para forçar essas comparações.

B) Escolha e o peso dos indicadores


6. Deve haver transparência da metodologia. A escolha dos métodos usados para preparar rankings deve ser clara e inequívoca. Esta transparência deve incluir o cálculo dos indicadores, bem como a origem dos dados.
7. Escolha de indicadores de acordo com sua relevância e validade. A escolha dos dados deve ser baseada no reconhecimento da capacidade de cada medida para representar a qualidade acadêmica e forças institucionais, e não sobre disponibilidade de dados. Seja claro sobre o porquê de as medidas foram incluídos eo que eles pretendem representar.
8. Preferência por mensurar resultados. Os dados sobre os insumos são relevantes, pois refletem a condição geral de um determinado estabelecimento e são mais freqüentemente disponíveis. Medidas de resultados fornecem uma avaliação mais precisa da posição e / ou a qualidade de uma determinada instituição ou programa. Os compiladores de rankings devem garantir que um equilíbrio adequado é alcançado.
9. Destaque para os pesos atribuídos aos indicadores (se usados) e limitação das mudanças feitas neles. Mudanças nos pesos tornam difícil para os consumidores a entender se a posição do programa ou da instituição mudou no ranking devido a uma diferença inerente ou devido a uma mudança metodológica.

C) Coleta e processamento de informações


10. Deve-se respeitar os padrões éticos e as recomendações de boas práticas destes Princípios. A fim de assegurar a credibilidade de cada ranking, os responsáveis pela coleta e uso de dados e realização de visitas in loco devem ser os mais objetivos e imparciais possível.
11. Usar informações auditáveis e verificáveis sempre que possível. Tais dados têm várias vantagens, incluindo o fato de que foram aceites por instituições e que são comparáveis e compatíveis entre as instituições.
12. Incluir informações obtidas conforme os procedimentos adequados à coleta científica de dados. Os dados coletados a partir de um subconjunto não representativo ou distorcido de estudantes, professores ou outras partes podem não representar uma instituição ou programa e devem ser excluídos.
13. Aplicar medidas de garantia de qualidade aos processos do próprio ranking. Os processos utilizados para avaliar as instituições devem ser usados para avaliar o próprio ranking. Rankings devem ser continuamente sistematizados para desenvolver uma melhor metodologia.
14. Aplicar medidas organizacionais para aprimorar a credibilidade. Estas medidas podem incluir órgãos consultivos ou mesmo de supervisão, de preferência com alguma participação internacional.

D) Apresentação dos Resultados no ranking


15. O ranking deve proporcionar aos consumidores uma compreensão clara de todos os fatores usados na sua elaboração e oferecer escolhas na forma de apresentação. Dessa forma, os usuários dos rankings terão uma melhor compreensão dos indicadores que são utilizados para classificar as instituições ou programas. Além disso, devem ter uma oportunidade de tomar suas próprias decisões sobre como esses indicadores devem ser ponderados.
16. Ser compilado de modo a eliminar ou reduzir erros nos dados originais e ser organizado e apresentado de forma tal que erros e falhas possam ser corrigidos. As instituições e o público deve ser informado sobre os erros que ocorreram.

Berlin, 20 de maio de 2006

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